Densitometria Óssea: Para Que Serve e Quem Deve Fazer
Osteoporose não dói até fraturar. Entenda como a densitometria óssea identifica a perda de massa óssea antes da primeira fratura, quem deve fazer e como interpretar o resultado.
Revisão técnica: Dr. Adriano Valente, Diretor Médico Responsável
A osteoporose é chamada de "doença silenciosa" por um motivo simples: ela não dói. A perda de massa óssea acontece de forma progressiva ao longo dos anos, sem sintomas, até que um trauma banal, uma queda leve, um esforço na coluna, provoca a primeira fratura. Nessa hora, o diagnóstico chega tarde.
A densitometria óssea existe justamente para inverter essa lógica. É o exame que consegue medir com precisão a densidade mineral do osso e identificar a perda antes que ela vire fratura, permitindo tratamento preventivo.
Neste guia, a equipe da Casa da Esperança explica o que é a densitometria óssea, para que serve, quem deve fazer e como interpretar o resultado.
O que é a densitometria óssea?
A densitometria óssea, também chamada de DXA ou DEXA (do inglês Dual-energy X-ray Absorptiometry), é um exame de imagem que utiliza uma dose muito baixa de raios-X para medir a densidade mineral óssea. Em outras palavras, é o exame que quantifica quanto cálcio e outros minerais existem em determinada região do osso.
O exame é rápido, indolor e não invasivo. Dura em média de 10 a 20 minutos, e o paciente permanece deitado em uma maca enquanto um braço mecânico passa sobre as regiões avaliadas. As áreas medidas com mais frequência são a coluna lombar e o colo do fêmur, porque são os locais mais vulneráveis a fraturas por osteoporose.
A dose de radiação da densitometria óssea é muito menor que a de uma radiografia comum de tórax. É considerada um exame seguro e pode ser repetido periodicamente para acompanhamento.
Para que serve o exame?
A densitometria óssea tem três funções principais na prática clínica:
- Diagnóstico precoce de osteoporose e osteopenia, antes que ocorra a primeira fratura
- Estimar o risco de fratura em pacientes com fatores de risco (idade, menopausa, histórico familiar, uso de corticoide)
- Monitorar a resposta ao tratamento em pacientes que já iniciaram medicação para osteoporose ou reposição de cálcio e vitamina D
Ao contrário de uma radiografia comum, que só mostra a fratura depois que ela aconteceu, a densitometria consegue detectar a fragilidade óssea muito antes. Isso muda completamente o manejo da doença: tratar osteoporose sem fratura é infinitamente mais eficaz do que tratar depois.
A densitometria óssea não substitui a consulta médica. O resultado precisa ser interpretado por um especialista (endocrinologista, reumatologista, geriatra ou ortopedista) em conjunto com o histórico clínico e os fatores de risco individuais.
Quem deve fazer densitometria óssea?
As principais sociedades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Densitometria Clínica (SBDens) e a International Society for Clinical Densitometry (ISCD), recomendam o exame para os seguintes grupos:
- Todas as mulheres a partir dos 65 anos, independentemente de fatores de risco
- Mulheres na pós-menopausa com menos de 65 anos que tenham fatores de risco (histórico familiar de fratura, baixo peso, tabagismo, uso de corticoide, menopausa precoce)
- Mulheres na transição menopausal (perimenopausa) com fatores de risco significativos
- Todos os homens a partir dos 70 anos, independentemente de fatores de risco
- Homens entre 50 e 69 anos com fatores de risco (uso crônico de corticoide, alcoolismo, tabagismo, hipogonadismo, artrite reumatoide)
- Adultos que sofreram fratura após os 50 anos por trauma leve (queda da própria altura, por exemplo)
- Uso crônico de corticosteroides por mais de 3 meses
- Doenças associadas à perda óssea: artrite reumatoide, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, doenças inflamatórias intestinais, doença celíaca, doença renal crônica
- Pacientes em tratamento oncológico com medicações que afetam o metabolismo ósseo
- Adultos com histórico familiar de osteoporose ou fratura de quadril em parentes de primeiro grau
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Como se preparar?
Uma das grandes vantagens da densitometria óssea é o preparo mínimo. Não há necessidade de jejum, contraste ou sedação. Ainda assim, alguns cuidados garantem um exame de melhor qualidade:
- Evite tomar suplementos de cálcio nas 24 horas anteriores ao exame
- Informe a equipe se tiver feito exames com contraste iodado ou bário nos últimos 7 dias
- Vá com roupas confortáveis e sem peças metálicas na região a ser examinada (zíperes, botões, colchetes, sutiã com aro)
- Retire joias, cintos, moedas, celular e chaves dos bolsos
- Informe se estiver grávida ou com suspeita de gravidez (o exame não deve ser realizado)
- Leve exames anteriores para comparação, se houver
Como entender o resultado (T-score)?
O laudo da densitometria óssea traz dois valores principais: o T-score e o Z-score. O T-score é o mais utilizado para diagnóstico em adultos.
O T-score compara a densidade óssea do paciente com a de um adulto jovem saudável do mesmo sexo. O resultado é expresso em desvios-padrão: quanto mais negativo o valor, menor a densidade óssea.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) padronizou a classificação da densidade mineral óssea em três faixas:
| Classificação | T-score | O que significa |
|---|---|---|
| Normal | Maior ou igual a −1,0 | Densidade óssea dentro da faixa esperada para um adulto jovem saudável |
| Osteopenia | Entre −1,0 e −2,5 | Densidade óssea baixa, com risco aumentado de evoluir para osteoporose se não houver medidas preventivas |
| Osteoporose | Igual ou menor que −2,5 | Densidade óssea significativamente reduzida, com alto risco de fratura por fragilidade |
O Z-score compara a densidade óssea do paciente com a média de pessoas da mesma idade, sexo e etnia. É mais utilizado em crianças, adolescentes, adultos jovens (menos de 50 anos) e mulheres na pré-menopausa. Um Z-score abaixo de −2,0 é considerado "abaixo do esperado para a idade" e pede investigação de causas secundárias.
O T-score é apenas parte da avaliação. O médico também considera outros fatores de risco (idade, histórico de fratura, uso de corticoide, tabagismo) por meio de calculadoras como o FRAX, que estima o risco de fratura em 10 anos e ajuda a decidir se o paciente precisa iniciar tratamento medicamentoso.
Com que frequência repetir o exame?
A periodicidade depende do resultado inicial, dos fatores de risco e do tratamento em curso. Em geral:
- T-score normal e sem fatores de risco: repetir a cada 2 a 5 anos, conforme orientação médica
- Osteopenia leve: repetir a cada 2 anos para acompanhar a evolução
- Osteopenia mais avançada ou osteoporose: repetir a cada 1 a 2 anos, especialmente se houver tratamento em curso
- Início ou mudança de tratamento medicamentoso: repetir após 1 ano para avaliar a resposta
- Uso crônico de corticoide ou outras condições de alto risco: intervalo definido pelo médico assistente, geralmente anual
Idealmente, o acompanhamento deve ser feito no mesmo aparelho e na mesma clínica. Isso reduz variações técnicas na medida e permite uma comparação mais precisa da evolução da densidade óssea ao longo do tempo.
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